Zuenir Ventura, em seu livro 1968 - O ano que não terminou , escreveu, em 1988, que a geração daqueles anos fora formada nos livros. E é verdade. Líamos muito. Líamos o que podíamos e, principalmente, o que não podíamos. De algum jeito. Tínhamos necessidade de saber. E o livro era o caminho.
Agora, porém, tudo é diferente. Não existe mais o PROIBIDO. Ao contrário, existe o À DISPOSIÇÃO, o À VONTADE, o LIVRE ACESSO. No entanto, diferente do que constatou Zuenir Ventura sobre os jovens daquele tempo (que era o meu tempo de leitora principiante), as gerações, atualmente, formam-se não só nos livros. Há muitas outras opções de acesso ao saber, ao conhecimento e à informação.
Portanto, leitores de livros, hoje, devem ser construídos. Não acontecem simplesmente. E isso requer trabalho, estratégias e, também, sedução.
Estudiosos de diferentes áreas – fisiologistas, psicólogos, profissionais de informática, editores, psicolinguistas, pedagogos, sociólogos –, há algumas décadas, têm desenvolvido pesquisas e estudos sobre a leitura. Toda essa convergência de olhares sobre o ato de ler tem contribuído para um novo conceito de leitura que implica o próprio leitor e o mundo. O leitor, hoje, não tem que “captar a mensagem que o autor quis transmitir”, mas, com sua experiência de vida, seu conhecimento de mundo, seu repertório, sua idade, deve construir significados a partir do que lê. Para se formar um leitor, portanto, é necessário ativar os seus conhecimentos prévios – experiência de vida, conhecimento de mundo, repertório – e colocá-lo em contato com uma diversidade de textos, incluindo escritos que circulam na sociedade.
Nesse sentido, o papel da escola e o da família tornam-se imprescindíveis, já que ambos podem proporcionar às crianças e aos jovens oportunidades de contato com a leitura, momentos prazerosos que envolvam interação com textos e exemplos de leitores.
Principalmente e, acima de tudo, EXEMPLOS DE LEITORES. É fundamental que nossas crianças e nossos jovens nos saibam leitores, nos vejam leitores, nos acreditem leitores.
Maria de Fátima Barros Silvestre
Coordenadora de Língua Portuguesa |