Educação Infantil 1º ao 5º ano 6º ao 9º ano Ensino Médio Pais Educadores

:: Pais


 

Senhores Pais

Periodicamente, nesta página, estarão disponíveis textos variados para reflexão, informação ou simplesmente entretenimento. Boa leitura!


O desenvolvimento das competências nos permite conhecer
Maria da Graça Bompator Borges Dias

O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é uma avaliação que se vincula a um conceito mais estrutural e abrangente da inteligência humana. Essa avaliação procura analisar o raciocínio do estudante quando aplicado aos conteúdos das áreas de conhecimento incluídas na escolaridade básica do Brasil, de forma interdisciplinar e contextualizada em situações cotidianas.
O Enem apóia-se em uma concepção de desenvolvimento de inteligência e construção de conhecimento, já amplamente contemplada nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e na Reforma do Ensino Médio. Nessa concepção de conhecimento, a ênfase da avaliação recai sobre a aferição de competências e habilidades com as quais transformamos informação, produzimos novos conhecimentos, e os reorganizamos em arranjos cognitivamente inéditos que permitem enfrentar e resolver novos problemas.
Tradicionalmente, os processos avaliativos escolares no Brasil caracterizam-se por uma excessiva valorização da memória e dos conteúdos “em si”, reforçando a crença segundo a qual conhecer é dispor de um repertório de respostas-padrão a problemas já conhecidos. A avaliação, neste contexto, é a simples constatação desse repertório.
Estudos mais avançados sobre a avaliação da inteligência, no sentido da capacidade geral de aprender, ainda são pouco praticados na Educação brasileira. Além disso, a própria definição de inteligência e a maneira como tem sido investigada, constituem um dos pontos mais controvertidos nas áreas da Psicologia e da Educação. Ao longo do tempo alguns pressupostos aceitáveis anteriormente tornaram-se questionáveis e até abandonados diante de investigações mais cuidadosas. Aos poucos, a concepção estática de inteligência e as medidas de inteligência propostas pela Psicometria foram sendo substituídas por concepções mais dinâmicas que levam em consideração o processamento de informações, os processos de construção, as experiências e os contextos socioculturais em que o indivíduo se encontra. O Enem foi desenvolvido com base nessas novas concepções.
As competências do sujeito expressam um saber constituinte, ou seja, as possibilidades e habilidades cognitivas por intermédio das quais as pessoas conseguem se expressar simbolicamente, compreender fenômenos, enfrentar e resolver problemas, argumentar e elaborar propostas em favor de sua luta por uma sobrevivência mais justa e digna. (Fini, 2002)
Uma teoria de desenvolvimento cognitivo foi proposta e desenvolvida por Jean Piaget, com cuidadosa fundamentação em dados empíricos e com consequências educacionais das mais relevantes.
“A abordagem Piagetiana analisa a inteligência em sua evolução desde o nascimento, onde o comportamento se restringe a reflexos, até a adolescência, quando se constitui o comportamento inteligente abstrato.
São 3 os fatores que, para Piaget, influenciam o desenvolvimento cognitivo: maturação biológica, influências do ambiente que tanto podem ser de ambiente físico quanto do ambiente social e a equilibração. Esses fatores caracterizam toda teoria Piagetiana e preconiza que, para haver desenvolvimento, é preciso um equilíbrio entre os fatores internos do sujeito e os fatores do ambiente. O sujeito deve agir sobre o ambiente e este agir sobre o sujeito em um processo interativo caracterizado por desequilíbrios e busca de novos equilíbrios.”
As competências que dão suporte à avaliação do Enem estão baseadas nas competências que os indivíduos desenvolvem. Estas competências são descritas nas operações formais da teoria de Piaget, tais como, a capacidade de levantar todas as possibilidades para resolver um problema, a capacidade de formular hipóteses, combinar todas as possibilidades e separar as variáveis para testar a influência de vários fatores, o uso do raciocínio hipotético dedutivo; aspectos de interpretação, análise, comparação, e argumentação, e a generalização a diferentes conteúdos.
Ao mesmo tempo, nas avaliações do Enem, a inteligência encarada não como uma faculdade mental ou expressão de estruturas cognitivas inatas, porém é compreendida como o uso de estratégias cognitivas básicas voltadas para análise da realidade. E isto em uma situação problema que deve ser elaborada dentro de um contexto, de modo que possa avaliar a emergência das habilidades cognitivas, o “saber fazer”.

       Piaget, J. (1936). La naissanced I’intelligence chez I’enfant. Neuchatel et Paris”: Delachaux et Niestle.

 



VOLTAR
TEXTOS ANTERIORES

"Acreditamos no carinho e no respeito mútuo como bases para a sociabilização e a disciplina."
copyright © 2004-2009 | Todos os direitos reservados
Contate-nos | Política de Privacidade |